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Artigo: Precisamos estar atentos ao uso racional da água

Publicado em 18/07/2014, às 07h50

O Planeta Terra tem cerca de 71% de sua superfície coberta por água. Deste volume, 97,3% é de água salgada armazenada nos oceanos e mares, cujas salinidades vão de 35 a 250 por ml. Isso significa que nas águas do Oceano Atlântico, por exemplo, podem ser encontrados em cada litro de água, 35 gramas de sal, e, no Mar Morto, 250. Sendo estes os pontos extremos. 2,07% é representado pelas águas doces congeladas da Patagônia, Groelândia e Antártida, águas que se encontram em estado gasoso na atmosfera e as águas que se encontram nos corpos dos seres vivos. 0,63% (14.000 km3/ano) apenas é acessível ao homem e outros animais e estão armazenadas nos rios, lagos e lençóis subterrâneos que vão de profundidades quase zero a 1.800 metros. A demanda mundial nos dias de hoje já é de 41% do total disponível no planeta.

Os padrões médios mundiais de múltiplo consumo indicam que neste século XXI será de 2.736 l/hab/dia, caso não sejam adotadas medidas enérgicas no sentido de minimizar as ações degradatórias como: desperdício, poluição, contaminação e aprofundamento dos lençóis freáticos poderá haver um esgotamento da potencialidade superficial a partir da segunda metade deste século, considerando os fatores já citados e o crescimento populacional na razão geométrica de 1,6% ao ano. Já se encontram na faixa de escassez hídrica o Kuait, Arábia Saudita, Líbia, Egito, Barbados, Tailândia, Jordânia, Singapura, Israel, Cabo Verde, Burundi, Argélia e Bélgica. As preocupações poderão se estender ao México, Hungria, Índia, China, Estados Unidos, Etiópia Síria e Turquia.

As águas consumidas no mundo hoje estão divididas entre as áreas de consumo doméstico (10%), consumo industrial (25%) e irrigação (65%). Em todas as áreas de consumo, o desperdício é da ordem de 40% das águas retiradas dos mananciais, na produção de bens de consumo o gasto também é muito grande. Segundo o Movimento de Cidadania Pelas Águas, para se produzir um bem de consumo, gasta-se as seguintes quantidades de água: 1.000 quilos de pães, a partir do plantio do trigo passando pelo beneficiamento até chegar a nossa mesa consome 1.000 m3 de água; para produzir um barril de derivado de Petróleo da extração ao beneficiamento e venda são gastos 290 m3 de água, e assim, sucessivamente. E todo esse consumo é debitado em nossa conta a partir do momento que compramos os produtos produzidos através da divisão “per capita”, quando soma-se a água que usamos diariamente para beber, tomar banho, lavar roupas, cozinhar e outras finalidades a fatia por habitante dia é de 2.736 litros, segundo estudo realizado pelo CREA - RJ.

O Brasil é privilegiado. A quantidade de água doce que corre pelos rios e acumulada nos lagos corresponde a aproximadamente 248 mil km3 e mais cerca de 112 mil km3 nos lençóis subterrâneos. Esta ultima é suficiente para abastecer a população do país por 9.150, anos caso não sejam poluídas, contaminadas ou salinizadas. Nesse total estão incluídas as águas do Aqüífero Guarani localizado no centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e 47º e 65º de longitude oeste. A maior reserva de água subterrânea do planeta. São mais ou menos 160 km3/ano (5.144 m3/s), ou seja, duas vezes e meia a vazão do rio São Francisco, dos quais 70% está localizado no Brasil.

O Aqüífero Guarani tem extensão total aproximada de 1,2 milhões de km2, sendo 840 mil km2 no Brasil (corresponde a 70% da reserva), 225,500 mil km2 na Argentina, 71,700 mil km2 no Paraguai e 58,500 km2 no Uruguai. A porção brasileira integra o território de: Mato Grosso do Sul (213.200 km2), Rio Grande do Sul (157.600 km2), São Paulo (155.800 km2), Paraná (131.300 km2), Goiás (55.000 km²), Minas Gerais (51.300 km2), Santa Catarina (49.200 km2) e Mato Grosso (26.400 km2). As reservas permanentes de água são da ordem de 45.000 km3 (ou 45 trilhões de metros cúbicos), considerando uma espessura média aqüífera de 250m e porosidade efetiva de 15%, e correspondem à somatória do volume de água de saturação do Aqüífero mais o volume de água sob pressão”.

As águas ocorrem preenchendo espaços (poros e fissuras de rochas). As rochas do Guarani constituem-se de pacotes de camadas arenosas que se depositaram na Bacia do Paraná, ao longo do Mesozóico (períodos triássico, jurássico e cretáceo inferior), entre 200 e 132 milhões de anos. A espessura das camadas varia de 50 a 800 metros, com profundidades que chegam até 1.800 metros, as temperaturas são muito elevadas, vão de 50ºC a 85ºC.

As águas doces do Brasil correspondem a 20% de toda a água doce do mundo. As águas no Brasil são mal distribuídas, principalmente as superficiais:as regiões Norte e Centro-Oeste habitam apenas 14,5% da população brasileira e uma demanda de 9,2% detêm 89% da disponibilidade hídrica do país; 11% se distribui pelas demais regiões (Nordeste, Sul e Sudeste), onde vivem 85,5% da população brasileira e a demanda hídrica de 90,8%.

O Nordeste disponibiliza hoje de cerca de 97,3 bilhões de m3/ano de águas; destes 92,9 bilhões são de águas superficiais, sendo 87,4 bilhões oriundas de rios perenes, só o São Francisco responde por 64,4 bilhões de m3 de água/ano(69%) da disponibilidade de águas superficiais. O Nordeste ainda conta com três trilhões de m3 de águas subterrâneas que estão acumuladas no aqüíferos chamados de províncias. No Nordeste são quatro dessas províncias; A Parnaíba, São Francisco, Escudo Oriental e Costeira. As reserva dessas províncias são capazes de abastecer a população nordestina durante 862 anos.

Nos últimos 60 anos a população mundial dobrou, enquanto o consumo de água multiplicou-se por sete. O desperdício chega a 40% das águas destinadas ao consumo.

Nos rios brasileiros como o São Francisco, por exemplo, além dos desperdícios, sofrem também com a poluição causada por lançamento de esgotos domésticos e industriais sem o tratamento adequado. Em Petrolina ainda é despejada uma grande quantidade de esgoto "in natura" no rio São Francisco, oriunda da parte central da cidade. Isso tem causado o aumento progressivo das plantas aguapé (Eichornia crassipes), também conhecida como baronesa, orelha-de-jegue, jacinto d´água e miriru, que apesar de ser considerada benéfica, sua presença denuncia a concentração elevada de matérias orgânicas na água, dando assim, origem a poluição aquática.

Uma medida paliativa pode ser adotada retirando as plantas periodicamente, sempre antes delas começarem a amadurecer suas folhas e frutos, ou entrar no estado de putrefação, o que causa odores desagradáveis no local onde elas se propagam e adjacências. Para resolver o problema definitivamente, só com o tratamento das águas servidas na cidade antes de serem lançadas ao rio. É o que esperamos há anos e ainda não aconteceu, enquanto isso o rio sofre e nós também.


Vitório Rodrigues

Ambientalista, radialista e membro da Agência Municipal do Meio Ambiente de Petrolina
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