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Diretor da Organização Mundial da Saúde admite falta de financiamento para combater epidemias

Publicado em 07/10/2014, às 13h13

O diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, Luís Sambo, disse hoje, em Portugal, que a OMS “não tem o financiamento que deveria ter para intervir no caso de epidemias, por exemplo, na África”. Em declaração aos jornalistas, ao fim de uma conferência sobre a epidemia provocada pelo vírus ebola, na Universidade do Porto, ele admitiu que “se tivesse existido uma intervenção forte desde o início, as hipóteses de contenção teriam sido muito maiores”.

“Infelizmente, a vigilância não funcionou na aldeia em questão [Guiné-Conacri] e fomos surpreendidos pela epidemia”, disse, explicando que, neste momento, os países mais afetados são a Libéria e Serra Leoa. Luís Sambo lembrou que a epidemia eclodiu “em um meio muito pobre onde não existiam e não existem os meios para atender problemas de rotina e de saúde. E, sobretudo, problemas extraordinários, como é o caso de uma epidemia”.

É uma situação que “exige meios especiais técnicos e tecnológicos que não estavam disponíveis, a começar pelo próprio sistema de vigilância de doenças da Guiné. O sistema de vigilância não funcionou em nível local, portanto houve uma apatia durante os primeiros meses de epidemia, que começou em dezembro e foi declarada no mês de março”, disse.

“Logo que tivemos a informação, agimos, só que infelizmente esta epidemia é muito especial e está se propagando de forma muito rápida, afetando muitos países ao mesmo tempo, inclusive as capitais, e há forte risco de propagação em nível mundial”, acrescentou.

Segundo Sambo, “foram registrados até agora cerca de 7,5 mil casos de infeção pelo vírus ebola, que provocaram cerca de 3,5 mil óbitos em todos os países afetados”. Ele disse ainda que a OMS está “mobilizando as instituições de pesquisa médica no mundo para que acelerem os esforços” a fim de encontrar um medicamento que impeça o avanço da doença.

Até agora, esses esforços têm sido “insuficientes”, afirmou.

“Temos alguns produtos, candidatos a vacinas, que estão sendo testados, e também alguns medicamentos experimentais que estão em fase de investigação. Mas temos esperança de que com a aceleração desse trabalho de investigação e as necessidades que são prementes, o processo possa evoluir rapidamente e sem prejuízo para a qualidade dos produtos que serão produzidos daqui a algum tempo”, destacou.

Sambo admitiu que, “no próximo ano, poderá haver novidades”.

As informações são da Agência Brasil, com Agência Lusa.
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